terça-feira, 18 de novembro de 2014

Depressão, uma companheira invisivel e perigosa. part01

 Eu estou passando por um processo que eu neguei por 06 anos , eu acreditava que podia me ver livre desse horror até porque eu ainda tenho preconceito moral com essa doença, então quando eu sentia dor , eu , tomava um anti-inflamatório e estava tudo bem , quando tinha todos os sintomas de um infarto eu rezava , quando eu chorava sem explicação, me sentia a pessoa mais ingrata do mundo , quando perdi 10 quilos e não notei ( só pra lembrar sou mulher e Leonina ), quando notei , já faziam 05 meses que eu não descia a escada do meu prédio, entrava em pânico só de pensar que teria um evento novo e eu poderia ser convidada. Mais um não , mas uma desculpa, pra não rever as pessoas que tanto amo. 
Em 2008 tive um espasmo muscular de grau altíssimo, fui parar na emergência do hospital de base , primeiro cardiologia , depois psiquiatria, pra variar , lá eles acharam que era um chilique , um pouco de stress, então e bendita medica me medicou com RIVOTRIL ,me enfiou uma receita debaixo do braço e mandou eu tomar um comprimido todos os dias antes de dormir e apaguei 06 anos da minha vida , fui um robot por 06 anos.Trabalhava no automático , pensava e vivia no automático , sem errar , sem sair do eixo , sem perder as estribeiras sem sentir e mais uma vez como fiz na infância , como fiz em toda a minha vida , engoli , somatizei , mais uma vez.
 Um belo dia , recebi uma visita e resolvi tomar umas cervejas, nessa de bebe daqui ouve-se uma musica dali , ouvi balada da Gisberta e quase morri numa tristeza profunda que me consumiu a alma de uma forma muito estranha , eu queria morrer.


 Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta para o nada.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
O fim quer me buscar.
Sambei na avenida,
No escuro fui porta-estandarte,
Apagaram-se as luzes,
É o futuro que parte.
Escrevi o desejo,
Corações que já esqueci,
Com sedas matei
E com ferros morri.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim quer me buscar.
Trouxe pouco,
Levo menos,
A distância até ao fundo é tão pequena,
No fundo, é tão pequena,
A queda.
E o amor é tão longe,
O amor é tão longe
O amor é tão longe
O amor é tão longe.

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